Acredito que tenha sido o primeiro passeio dessa família de Bem-te-vis, e foi um perereco, um filhote empacou num patamarzinho do poste em frente de casa e o outro caiu no jardim de casa.
Percebemos um alvoroço, os pais dando uns vôos rasantes bem perto do gato, um ataque super corajoso daquelas avezinhas querendo defender a cria. Chegamos chispando com o gato e vimos aquele picurruchinho tremendo, o corpinho rangendo em baixo daquelas peninhas, estava com "sistema nervoso" abalado.
Isso aconteceu no final de tarde, recolhemos o passarinho e avisamos os pais que cuidaríamos dele até o amanhecer do dia seguinte, ele ficou com um leve ferimento em cima da asa.
Ele estava sem reação pra nada, colocamos numa gaiola, tentamos dar umas migalhinhas de pão, mas ele não queria saber de nada, ficou tão quietinho.
No dia seguinte, bem cedinho 06H00 da manhã, os pais já estavam as voltas da casa cuidando do filhotinho que ficou naquela beiradinha do poste e nós colocamos o irmãozinho menor no para peito da janela, e o gato em cima do telhado da casa da frente, só na espreita com olhar de esgueio.
O filhotinho tentou um vôo parou no fio do telefone. A Lys falou para o passarinho que iria sentir saudades, mas que eles poderiam aparecer quando quisessem e vai para a escola, feliz e triste, no fundinho ela queria ficar com ele.
E eu fiquei sentada no beralzinho morrendo de frio, esperando um desfecho seguro, fui buscar um cobertor, quando volto o filhotinho tinha sumido, procuro que procuro, ele havia caído no jardim, no mesmo lugar que encontramos, peguei coloquei em cima da grade, péssimo lugar a mãe não conseguia alimentá-lo, já tínhamos devolvido para a tutela dos pais e ele já havia sido aceito novamente.
Faço a besteira, peguei novamente, ele estava tranquilo e tento alimentá-lo e ele aceita, coloco ele novamente no parapeito da janela e ele não se volta para a mãe e fica chamando novamente, ele vem para minha direção todo o tempo, o Caio fecha a janela me tira dali e espalha pão pelo para peito para facilitar o serviço da mãe bem-te-vi, e diz que não posso interferir na lei natural das coisas.
Fiquei de tocaia o quanto deu, tinha que sair, nomeei minha Santa Benedita para assumir o cargo, quando voltei encontrei a família toda reunida no mesmo galho de árvore, e comemoramos, a Lys está bem feliz deles serem nossos vizinhos. Bem-te-vi - Bem-te-verei - Bem-te-verão. Que bão!
Posted by Katia at September 27, 2002