MInha cabeça está mis confusa que tudo nesse mundo queria escrever para você, você mesmo que tanto me odeia, queria pedir que me explicasse tanta coisa, mas pra quê? Vc não responde! Qual é a lógica disso tudo? O que eu fiz?
QUE MERDA DA BOSTA DO MUNDO, olha que eu recebi:
From: "Leonardo Caldi"
To: Katia Limongelli"
Subject: com pesar
Date: Fri, 1 Nov 2002 00:44:54 +0100
X-Priority: 3
X-Rcpt-To: X-DPOP: Version number supressed Status: U Caríssima, é com profundo desprazer que anuncio o falecimento de Raymond Savignac. Deu-se ontem o fato, dia 30. Aos 93 anos. Um beijinho, fique bem ......................................... Leo Caldi Você sabe me explicar? alguém aí sabe? Tem alguem aí? Eu nunca entendi a morte, me ajuda, você tai? Tem alguem aí? Que tristeza, eu quero lembrar do Kurosawa mas não consigo, viveu lindos anos com coragem, fazendo coisas lindas e eu não consigo parar de chorar, a menina de tricô, o homem de duas cabeças da Pills, tem uma triste daquele homem perplexo, a vaquinha, ele se esculpindo com a cabeça apoiada, tantas coisas, trabalhava até pouco tempo, o anúncio do homem tomando cocacola que ainda não sei as cores, CADE VOCE? CADE ALGUEM? Tem alguem aí? Leo Caldi como você me deixou tão feliz, e pelo mesmo motivo daquela minha felicidade é o motivo da minha tristeza agora, agradeço você me participar isso mas te digo que profundo pesar. Desculpa, não me leve a mal, estou muito grata de ter lembrado de me comunicar, muito. Me desculpa. Eu gostava dele há muito tempo, ficava pensando como ele descobria que aquelas coisas estavam ali para fazer o contorno, é que eu via as manchas no papel mas eu não via os desenhos dele para contornar, as manchas do meu papel tinham outros desenhos, eu queria um papel igual ao dele, besteira que a gente pensa quando é pequeno. Lembrei dum pedaço daquela música Aquarela: Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva E se faço chover, com dois riscos tenho um guarda-chuva Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel Num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu e lalalallalalala acho que esqueci ah tem Numa folha qualquer eu desenho um navio de partida Com alguns bons amigos bebendo de bem com a vida De uma América a outra eu consigo passar num segundo Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo O menino caminha e caminhando chega no muro E ali logo em frente a esperar pela gente o futuro está E o futuro é uma astronave, que tentamos pilotar Não tem tempo nem piedade, nem tem hora de chegar Sem pedir licença muda nossa vida E depois convida a rir ou chorar Nessa estrada não nos cabe, conhecer ou ver o que virá O fim dela ninguém sabe, bem ao certo, onde vai dar Vamos todos numa linda passarela de uma aquarela que um dia enfim Descolorirá Eu tenho quase tudo do Savignac, tudo em PB, nada vai descolorir, enquanto eu lembrar dele ele vai estar com as cores bem vivas. Como pode, eu nem coonhecia ele, essas coisas são engraçadas. Descanse em paz. Obrigada por todos os brindes que deu aos meus olhos. Três beijos! Au revoir, Monsieur Savignac!