
Sallassie
Conserva no olhar a serenidade do espírito. A vida lhe deu o dom de dominar o tempo de permanecer jovem ainda. Ele permanece jovem ainda, apesar dos anos. Ele permanece jovem ainda, apesar da vida.
Sinta o cheiro do lixo humano tingido de outros mais aristocráticos como o das chaminés das indústrias. Ali, à direita da estrada o pasto seco, as vacas magras. Vida asfixiada no que há muito deixou de ser , verde. Ali, à esquerda o fim do morro — tábua sobre tábua, o malabarismo de barracos, a miragem triste de uma cidade apoiada em caixas, papelão e lata. Babilônia humana, esperança subterrânea.
Perceber a verdade da existência é perceber a tragédia que não pode ser articulada. Disso, ele sabe.
Com calma e tempo ele olha da direita para esquerda e espera. Olhar verde de quem ainda procura, resposta. Olhar distraído de quem aprendeu a filtrar, a luz.
Ao longe ele parece sombra incerta, figura que flutua entre o gás e o sólido. De perto.. mais perto...
Veja — ele tem deus nos cabelos, na ponta dos dedos, nos olhos fundos. Sua voz — vem do chão, da terra úmida, pronta, fértil. Da terra com saliências, pedregulhos, musgo, erva. Ele aprendeu a escutar o som da esperança subterrânea. Reconheceu a música que foi o compasso da sua luta.
Ele tem luz e resposta na pele, negra. Disso, quem o vê, sabe.
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chapei, valeu! é pr'ocê tb :-*
que deus nos preteje!
Posted by Katia at January 15, 2003