Viagem - João de Aquino e Paulo César Pinheiro
Ó, tristeza me desculpe, estou de malas prontas
Hoje a poesia veio ao meu encontro,
já raiou o dia, vamos viajar
Vamos indo de carona
Na garupa leve do vento macio
Que vem caminhando desde muito longe,
lá do fim do mar
Vamos visitar a estrela da manhã raiada
Que pensei perdida pela madrugada,
mas que vai escondida querendo brincar
Senta nessa nuvem clara,
minha poesia ainda se prepara
Traz uma cantiga,vamos espalhando música no ar
Olha quantas aves brancas, minha poesia
Dançam nossa valsa pelo céu que o dia
fez todo bordado de raios de sol
Ó, poesia, me ajude,vou colher avencas,
lírios, rosas, dálias
Pelos campos verdes que você batiza de jardins do céu
Mas pode ficar tranqüila, minha poesia
Pois nós voltaremos numa estrela guia,
num clarão de lua quando serenar
Ou talvez até, quem sabe,
nós só voltaremos no cavalo baio
No alazão da noite, cujo nome é raio, raio de luar