ouvindo a sentença da sibila
a escala vegetal:
as samambaias
que dependuram no ar
o verde semprelindo
e cumprem seu destino
como rindo
a escala mineral: a cristalina
geometria do geodo
onde se incrustam
ametistas: qual no útero
o ovo
concluso em seu
brancor-brancusi
elas —
presas da roxa luz de sua sina —
fascinam-se
fechadas na clausura das faíscas
a escala animal:
esta pata felina
que prendes entre os dedos
e aveluda
vigiada por um par de olhos safira
com certeza mais próximos do enigma
do que os teus
olhos cuja razão
castanho-clara
aparta-se do vero por um véu
(ainda mesmo quando
mudos fosforecendo aqueles
outros
estes assistidos
do elocutório gesto das palavras)
despossuindo a cifra
interrogas
sob o arco dos sobrolhos senescentes
o giro tardo-rápido da vida
porcos-espinhos e anêmonas
borboletas e aves de rapina
a lenta lesma ensimesmada
o besouro de antena purpurina
todos — a multiviva zoosfera —
sabem do decreto e da consigna
encurta-se o caminho
e continuas
no azimut do zero:
outra escala te rege —
persevera
— Haroldo de Campos —